
Escrevo porque a vida se me existe.
E da ponta de minha caneta verto superstições.
Menino agitado e já distante dos dias.
Eu não me presto e não quero trazer-me à cena.
Instinto cego,
voluntariamente fetiche de sí mesmo.
A loucura da verossimilhança é a única
razão de ser pela qual eu escrevo.
Para a vida se nasce de qualquer maneira:
mendigo, pedra, água, mulher.
Nasci personagem, nasci tatuagem.
Brincadeira nobre, noites em postas.
E moro na solidão dos seus olhos.