quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Helena


Quando cheguei em casa,
olhamo-nos como dois bichos famintos.
Da mesma espécie.
Queria embalar suas vísceras e das suas
unhas, bem cuidadas, arrancar-lhe a impáfia.
Porque sou cada pedacinho dos teus tecidos.

- É coisa que faz bem pro sprito?
- Não, é coisa porca.

- Destesto seus saltos Nureiv, minha madoninha holandesa
que assovia Mozart.
-Já falei sobre você em textos passados.
- Qual?
- Aquele que fala das aves de rapina... er...acho que o título era:"Só queria que meu corpo descansasse".
sei lá, não importa.
- Mas porque? seu fuleraço...
- Ah, porque é apoplético estar contigo.Pestilenta rodela, suculenta mãe Madalena.
eu sou um pacote de merda e escrevo bizarrias.
Bem sovina.

Mães...
Helena é a minha.

- Cale a boca, sacripanta bicudo.