quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Manhã suja

Ontem, num estalido seco, acordei acetinado e já cansado de conceitos e dados.
Na noite anterior lambia tudo, sozinho na cama, a mão em concha, suado, metendo no nada.
A vida é uma flor esquisita, um pacote de merda, um entulhaço.
Havia sonhado com fadinhas lésbicas, bebês mortos que falavam, bonecas de pano cabeçudas e loucos patifes.
Para mim, a boa poesia sempre é construída em lugares insólitos. Boa? Bom são meus cabelos cacheados, os olhares penetrantes, a pobreza dissoluta.
- Faz tempo que você está aqui?
- Não, só 25 anos.
- Sou uma coisa delicada...
- Ahhhhh, meninopúbisdelicado.
- Quero sombra.
- Lúcido critério.
- Popule meus. quid fecitibi? Responde mihi.
ai nunca mais nunca mais, ai tocar. imposição corrosiva. Veni creator spiritus.
Alimento-me com conta-gotas dando de comer ao meu ócio nicotinado.
- Que importância tem se seus amores colecionam coisas, se valorizam o álcool mais do que sua funda e magricela anatomia?
Como minhas tripas e peço mais. Agacho e rio rio rio rio borbulhar de vísceras. Sou eu mesmo que me acendo, estudo de amor etc etc etc, um nada vidrilhado, um monte de vazios cuspido de escória.
Quer que eu me consuma? 600 graus Celsius, é isso?
Apenas agonia raivosa. Cose-se soturno delirante.