
Ah, tudo cinza.
Tudo encoberto nos meus olhos.
Tudo pisado e torçido entre as
belas flores do Ipê.
As cadeiras estão ocupadas.
São apenas os resquícios
das roupas rasgadas e sujas
dos reis orgulhosos e ímpios.
Das janelas da minha vida
não vejo a serra da boa esperança.
E descanso embalado
pelo silêncio escarrado pela multidão.
Não tenho problemas,
tenho disparates,
um mundo surdomudo - é o que eu quero.
Afinal, não entendo a linguagem dos sinais.
Um cachorro grande cagando flores amarelas.
Desgosto e injúria gravados em metal.
Ácidos oxidantes em minhas podres gengivas.
Taciturno e oco toco-me.