segunda-feira, 19 de maio de 2008

Da segunda vez, quando ele voltou, sorri sorrateiro.
Ele me disse "o que é ritual"?
Fitando-o percebi sua gula roliça.
Quem nos viu? A lua e o concreto.

Eu o perscruto. Todas as tardes, de mansinho.
Da lembrança em meus lençóis, o suor das brincadeiras.
Desperto em meus braços, não consegue levantar.
A noite urge e o tempo silencioso nos olha.

Com os olhos semicerrados, uniu seus lábios aos meus.
E nossas línguas se conheceram.
Então acariciei seu pescoço e sua cintura
Depois, sexo em puro delírio ardia em minha mão.
Acaricio a tua dor
beijo a tua morte
fria como um mármore.
O sol é minha barricada
todas as injúrias me coroam
dono de sentimentos violentos
enxertados, rápidos e alegres.
Olhos de desdém
rugas de tristeza
insuportavelmente atraente.
Em meus espelhos:
imagens da dor e do sofrimento.
Além de toda matemática
o meu de dentro no teu colo
feito uma Pietá
ninando um Jesus morto.