segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Abaluaê.

Abaluaê é um famoso orixá que cuida das doenças.Ele é todo coberto de chagas.
Chagas adquiridas pelas desventuras cometidas pela humanidade.
Para escondê-las usa uma vestimenta feita de palha que o cobre da cabeça aos pés.
Dilacerado e desesperado.Quem imagina esconder-se no local do crime? Isto é para poucos.
Crucificar-te naquele santo solo. Um Judas pregado na cruz e um Jesus pendurado em cada poste.
(.) Você...curioso produto da infelicidade.Caricatura de homem.
Crês que me atingiu, que me provocou ao fazer tamanha infantilidade e mesquinharia, mas na realidade quem se humilhou foi você; vilipendiado em função de uma caricatura, de um borrão, de um arremedo.


O que acontece conosco é a violenta e cósmica força da natureza e cada um a seu modo está fazendo de tudo para fugir disto.
Cerquei.
Através do tédio comestível que me foi oferecido nos tecidos listrados, cerquei.
As dores lutam por um espaço compreendido.
Movimentação de um Isto sem fim.
Atrevi. Nas ruas, nas calçadas.
Na copa das árvores o sol bate sem impedimentos.
Em mim furtivo se faz, rancoroso de minha dolência.
Para que tantas fraudes? Para que autoboicote? Eu não entendo alguém que tem a faca e o queijo nas mãos e mesmo assim prefere passar fome.
Você é arcaico, retrógrado e inferior porque submete-se a uma falsa liberdade. Seus ideais necrosantes são um verdadeiro pesadelo de insinceridade espantosa;óleo feito com os ossos das carcaças de uma ética mentirosa e doente.
As lacunas que esclarecem:
Cumplicidade é um relâmpago atordoante, é um olhar agudo e perplexo com que se examina a vida. Ah, a vida é uma aventura inconseqüente...cavucada de sentimentos secretos e neutros em cada palavra.
Não sou hermético, você que é conservador.
“Eu nunca te vi em toda a minha vida” é o retrato de um côncavo, de uma falta, de uma ausência, de um estômago vazio.
Traição se não tivesse sido, eu não saberia, e tendo sido, eu soube – apenas isso. Desculpa esfarrapada da mudez: quem , como você nomeia o medo, de amor? E querer, de amor? E precisar, de amor? E resistir, de amor? Pesadelo, de amor?
O vazio é um meio de transporte.
Posso parecer manso mas minha função de viver é feroz, pois nem meu corpo me delimita.
Você pobre cretino mecânico e alienado. Já não é preciso esperar por nada.A esperança é horrenda.Mas acredito numa mínima margem, ainda que nem mensurável, de liberdade.Com certeza há algo que escapa à lógica matemática.Liberdade não é fazer o que se quer.Isso é burrice.Liberdade é expectativa, é o público, um vazio a preencher, uma aspiração, no sentido figurado e próprio.
Assunto proibido: passa a viver e não apenas prometer-se a vida.Não tens a coragem de deixar de ser apenas uma promessa?
Eu te dei o susto do meu amor.Amar é experimentar o perigo de um pecado maior.
Dos arquétipos:
O fogo consome o mato seco (o medo intróito) mas não devasta a terra, sua diretrizes não são abaladas, você não é invadido, apenas preparado para o plantio; a terra é fértil em especial nas mudanças que o fogo lhe propõe.
A terra é firme e está no controle, as erosões não são perdas, as fendas cavadas com ávidos e duros dedos encontraram um fio bebível de vida.A terra é a solenidade de si própria e no cio gerador não tem medo de consumir-se ao servir o ritual consumidor. O ritual não é exterior a ela: o ritual é inerente.
Espero por ti, espero: sei que depois saberei como encaixar tudo isso na praticidade diária, não esqueças que também eu preciso da vida diária.
Eu te espero em qualquer esquina de poesia concreta.
Qualquer dia perto da montanha de pedra, de concreto, de vidro, de fumaça, no interior do leão.
A morte e a donzela.
Pode apostar caríssimo,