segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O violoncelista

Em cada canto um encanto.
Dez passos de claridade, dez passos de escuridão.

Um era doce, bondoso e vicioso.
Suas testemunhas eram feias, sujas e desfiguradas. Ele dançava ante os gnomos que sua imaginação forjava para livrar-lhe da realidade-fantasia que o cercava.
Era marcado pela degradação, era decaído, e dentro dele - sentinela - o conhecimento da impostura pouco servia.Sua existência provinha do gosto das cinzas, da lassidão, da tristeza do esforço-humano, da audácia e da prudência.
Frutos conflituosos de uma árvore esgueirando-se pela escuridão, fiel madeiro, árvore sem igual. Que selva outro lenho produz?
As carpas...foram seu alvo;
As carpas nadando...ele olhava para o lago com olhos cegos.
Miramiramiraeacerta
miramiramiraeerra.
assim é sua vida,arqueiro. num piscar de olhos a verdade é teu talento,apenas feche os olhos e sinta e teu dedo é o que resta.
Ele está sempre à procura.
Numa atitude desesperada de preservação nos atira à raiz da existência.
A Via-Láctea é o jardim da sua história. O homem espera pela sua força.

O outro É .
Poucos sabem de onde ele vem.
Consubstancial.
Não existem fronteiras. Existe uma conquista corajosa e bem sucedida.
Reações prontas e nítidas, beco sem saída, beijos e respiração.
Ele traz o livro de Jó e abraça o silêncio.
Enfrenta agruras e sabe que a resposta impõe-se a ele desde que nascera.
Por isso viaja.
Aos poucos quer galgar as alturas, elevar-se entre as planícies e mostrar a todos sua sede insaciável e descontínua.
A pedra é seu alicerce, e o Rei da selva seu companheiro.
Ao fechar a luz do dia se apaziguava no que tinha que ser.

Mas para o destino não existem coincidências.
Eles se encontraram e descobriram que estavam fazendo a coisa certa.
Carregavam algo divino.
Algo tão grande que as dobradiças do mundo pareciam ranger quando eles passavam.
Na escuridão e na luz.
Caminharam por planícies cobertas de ossos monstruosos, ásperos, destroçados e inumanos.
Suas mãos firmes e certas continham o futuro que envolve o presente.
Todos os caminhos lhes pertencem, mesmo naquilo que não era real mas sem o que o real não teria significado.
O mundo está aos seus pés.

Neles a tríade santuário, castelo e lar faz-se plena.
No lar teus olhos são gotas da noite onde estrelas piscam e queimam.
Par quê questionar um poema ou uma folha caindo no castelo?
Eu me importo com você em nosso santuário.

Tudo será diminuído pois não será como este lugar.

E tudo o que fizeram um pelo outro vale mais que fios de seda crua.

Vaidade é um brinquedo que já não interessa.

Ao fundo, um violoncelo desenha três lamuriantes notas descendentes.

Pelas mãos do artista fazer o mundo estremeçer,
fiel madeiro,árvore sem igual...
vai, reverbera, ressoa,
acredita;
harmônicos plenos da grandeza do cosmos,
caos e cosmos.

A natureza é a mesma.

O músico e seu instrumento.

São início,

único,

um.