segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Materializar.

Materializar.
O cru existe.
Ter é tardar dentro do espaço, a lama pestilenta que encobre o ser.
Impressão atuante em cena aberta, face a vontade própria, aos lampejos do ver.
Ah! se soubesses, a vida lhe seria certeira e imprópria assim como a chama necessita da madeira para existir e a madeira necessita do fogo para brilhar, erosão da neutralidade e surdez generalizada.
O mundo profundamente natural e terreno, fecundo e vertiginoso te oferece uma nova e incompreensível aventura.Você, o inliberto,vítima de sí mesmo,de suas teias construídas contra o vento,de suas lutas inglórias subordinadas a existência do aquém; o leviano, o ignorante.
Pretencioso é o insustentável, o carcomido por suas próprias entranhas.
Doença passageira nutrida do orgulho vil e mentiroso porque a morte está logo ali.
Difícil?
todos nós sofremos pela neurose do que não se explica, sinta-se ofendido pela humanidade.
O quê te dói? A escolha do nada?O medo te é inerente.
Quem é você? O que é isto? Por que? Pergunta, resposta, dúvida, afirmação, réplica, tréplica, comunhão, oposição.
Tens medo de que te tirem o que se não tens nada?
O que deve fazer alguém que não sabe o que fazer de sí?
Você não tem a capacidade de um enigma, em caminho inverso é espantado pela força lúdica de seus ódios e amores.
Eu rio, rio porque é um acréscimo. E então adoro.
Na sua rarefeita profundidade eu vi a poeira que tornara-se um meio de transporte.Nos intervalos de vazios e tranqüilos o impotente faz da liberdade um segredo: degredado de um futuro que o redima - momentos escamotear - próximo do inanimado.
Você é uma marionete nas mãos convenientes da tragédia moderna.
Virgem ainda, não pela inocência mas sim pela inexperiência e pelo conservadorismo numa juventude quebrantável, coito infeliz, analfabetismo do antecipado fracasso.
Inútil.
Percorri limites, meu finito esquivo.Força na delicadeza e delicadeza na força. Pompas,cismação,atolado de mel,geografia tensa de minhas vísceras.
Pausa, olhar-se.
Eu te tocava assombrado de mim.
Sonetos luxuriosos.
Desejos suicidas no umbigo,no ânus,nos ouvidos,nos joelhos, por que?
ele ejaculou pobreza e cansaço, o outro se apossou de significante, tétrico soluço.
Cósmicas fornicações, comeu o prefixo, do bolo o melhor pedaço ele não quis; não por dolente mas em sua constância - mormaço preferiu a inanição (por culpa do ode, em função da Rebouças, tateando inconstâncias, qual personalidade? frequente - fugidio).
Você finge perseguir a mim mas voluntariamente prende-se ao que me foi criado por ti, o espelho não está posto na minha direção, porque eu não sou o meu nome e você é ninguém, promessas de um potencial condicionado a isenção de taxas.
Minha verdade pode ser aquela quando sugava teu pênis,
mas a verdade não é nossa,
provar pode transformar-se numa sede cada vez mais insaciável.
Cago tua inexperiência;
privilégio de maduros, aprende-se no limite, começa tarde.
Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.