terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Canto XXV

Desejoso da proporção
Apalpado de obsceno
Carregado de susto.

Chamei-te Noite.

Beijado pela fantasia
do ontem, olho da razão
memórias do invento.

Chamei-te Noite.

Tinha os braços pesados do espanto
as costas duras de culpa
e a fronte afundada em veneno

Chamei-te Noite.

Às escondidas terroso e barriga vazia
corpos doentes estufados de química
Pestilenta e cansante mágoa.

Chamei-te noite.

Que te encerras este possuir?
E esta boca seca que faz das letras um caminho?
É um grande riso - pensamento homem de carne
distante e farto e róseo.
Parece o de sempre encantado.

Chamei-te Noite.