Desejoso da proporção
Apalpado de obsceno
Carregado de susto.
Chamei-te Noite.
Beijado pela fantasia
do ontem, olho da razão
memórias do invento.
Chamei-te Noite.
Tinha os braços pesados do espanto
as costas duras de culpa
e a fronte afundada em veneno
Chamei-te Noite.
Às escondidas terroso e barriga vazia
corpos doentes estufados de química
Pestilenta e cansante mágoa.
Chamei-te noite.
Que te encerras este possuir?
E esta boca seca que faz das letras um caminho?
É um grande riso - pensamento homem de carne
distante e farto e róseo.
Parece o de sempre encantado.
Chamei-te Noite.