segunda-feira, 10 de maio de 2010

Corpo - Pedra

Aprisionado num corpo de pedra
perco a vontade primeira.
Orgão deformado
sonhador de instantes.

A vida se me cria traços carregados
de medo e desordem.
num pulo acetinado com papéis
picados e festas nunca acontecidas.

Sonhava como quem sonha uma criança,
desesperado de dor e desamparo.
Quereria um charco de terra suja
para cobrir as feridas e úlceras
e entranhas corroídas.

Só me valho pelo respirar
quando calo é porque ombros
largos buscam veias na escuridão.

Aprisionado num corpo de pedra
perco a vontade primeira.
Orgão deformado
sonhador de instantes.