segunda-feira, 3 de maio de 2010

Canto XIII B

Ferido em minhas mãos e em meus pés
andarilho sôfrego, terras que me ofendem.
Fisionomia incerta e gesto oco.

Dependurado torto, insistente
assisto costas secas e segredos de uma ilha.
Era uma zona fantasma em um rosto cuspido.

Em um só tempo: carne e desalento
o desejo como um braço podre.
A inércia devora raízes e ossos.

Canto XIII A

Ah ver manhã de sol
e desejar ter (eu) corpo.
Novo ou velho
como um livro aberto em novidades.

Buscar afoito o encontro
sem saber do seu o dia.
Querer ser pedra árvore paletó.

Teu sorriso-menino
criança entardecida de desertos
ombros desabados em terra seca e escura.

Avenida sonolenta
assisto crescer em teu asfalto
vestígios de um sonho
esquecimento e insônias cobertos de pó.