domingo, 27 de julho de 2008

VI

Minha tristeza tem infinitas sepulturas.
E nas lápides
o rancor e o desatino.

V

Delicadamente,
quebro o ritual cotidiano.
De trazer-te personagem,
aos meus ditongos e hiatos.

IV

Toma-me.
Porque encharcado estou na falta da tua presença.
Pele de terra
Pesada e maltratada.
Ressequida e funda,
nestas estações inalteradas

III

Desvio-me dos olhares benéficos.
Do que é bom e saudável.
Antes,
aspiro tua febre amarela
teu andar desequilibrado
e tua respiração doente.
Infectado estou...
Com teu olhar pedinte
com tua manha roliça
e teus dentes ocos.

II

Sou fiel reservatório do teu mel.
Depositário expandido de tua essência.
Teus sabores cálidos e tuas entranhas descobertas
cavam um verso em meu papel,
um pedaço de frase comestível.

I

Consumo dor e desespero
Miséria e relutância.
Em movimentos antigos
fotografia desesperada.
Vitrine invertida em
cadências oblíquoas.