sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Se os meus sonhos fossem tão altos...


Ah, o transpassar das brumas.

Arde em mim uma inefável fonte de calor.

Tal qual chuvisco no farol

você transforma-se em neblina oca e insolente.

Então na escuridão movimento-me sobre teu

espelho quebrado,

dissoluto de teu ignorante

sentimento, contemplando teu dietético suspiro.

Com voz rouca e confiante desejo flanar na tua

matéria cheia de contrastes.

Um baú de interjeições em noite de lua crescente.

Devaneio insandecido.

No tempo ele vem.

Chegaste, não te esperava.


Dor aguda

Dor lancinante

Da recusa

do esquecimento

da falsa perseguição

a que te submetes.

Do profundo marrom amargo

que desponta dos teus férreos preconceitos.

Porque nestas letras mortas te refaço

te interpelo te incendeio e te encanto.

Tinta aquarelada que o tempo não desbota

que a relva não desfaz

passos rápidos e largos como teus braços

teus dedos teu ombro tuas articulações

teu estômago que engole minha insensatez

com os ácidos renegados da violenta forçacósmica.

Eu te quero Eu te quero

sombra amálgama,

riso fechado cariado.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Memórias folheadas.



Nossos diálogos intercalam-se

com o fluxo solitário das memórias.

Tateio os sentidos possíveis do afeto -

ou o que restou dele.

Estávamos em casa e esperávamos que a chuva chegasse.

Poço de mel.


Ah, tudo cinza.

Tudo encoberto nos meus olhos.

Tudo pisado e torçido entre as

belas flores do Ipê.


As cadeiras estão ocupadas.

São apenas os resquícios

das roupas rasgadas e sujas

dos reis orgulhosos e ímpios.


Das janelas da minha vida

não vejo a serra da boa esperança.

E descanso embalado

pelo silêncio escarrado pela multidão.


Não tenho problemas,

tenho disparates,

um mundo surdomudo - é o que eu quero.

Afinal, não entendo a linguagem dos sinais.


Um cachorro grande cagando flores amarelas.

Desgosto e injúria gravados em metal.

Ácidos oxidantes em minhas podres gengivas.

Taciturno e oco toco-me.