sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Un chant d'amour


Escrevo porque a vida se me existe.

E da ponta de minha caneta verto superstições.

Menino agitado e já distante dos dias.

Eu não me presto e não quero trazer-me à cena.


Instinto cego,

voluntariamente fetiche de sí mesmo.

A loucura da verossimilhança é a única

razão de ser pela qual eu escrevo.


Para a vida se nasce de qualquer maneira:

mendigo, pedra, água, mulher.

Nasci personagem, nasci tatuagem.

Brincadeira nobre, noites em postas.


E moro na solidão dos seus olhos.

Pescoço.

Querida...

se isto fosse um chupão
eu ostentaria com o maior prazer.
Mas como é uma alergia,
eu te desminto com profunda tristeza.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

O cigarro tem sido meu companheiro fiel.
Ele na realidade é uma prostituta.
Por R$ 3,00 eu desfruto de seus prazeres.
A prostituição dá asas para voar.
É um vôo rasteiro,
asas de papel-moeda.
Entre meus credores reparto as notas
de papel-moeda.

Che ricordarsi del tempo felice,
Nella miserá.

Diálogo sistêmico.

- VOCÊ USA BORRACHA?

-NÃO.

-CURIOSO.

Olhos Casa Relógio Vento Sapato Rosto Ruas Espelho Raio Sangue

CDS Demais Sorriso Intempérie Gmail Tapete Morrer Tempo Só

Borracha Cutucar Chafurdar Marquês de Sade Simone Odeio Ela

Praia Esquecer Perdas E Danos Restava Valer Popular Além Oi

Tem Do Ré Mi Fá Sol Lá Sí Bach Chopin Nina Simone Lápis Elis

Mão Dedo Suor Terninho Pastel Chocolate Coca-Cola Carlton

McDonalds Esfirra Chuva Lua Hora Marcada Paixões E Palavras

Cara Lavada Fogo Ofensa Derrepente Nome Sobrenome Amor

Loucura FIMCOMEÇO Vida Meu Grande Comovedor Flores Vi

Vinho Morango Cinema Teatro Lento Apto Gozo EraUmaVez.

Opus 1 nr 1

Em minha vida não existe "jamais".
Ando em bondes guiados por anjos.
Numa terra já perdida caminhei por
ruas e avenidas para expulsar de vez
os pesadelos.
Neles , habitam personagens mal realizados.

-Achas que respira e toca a realidade?
-Le jeu est fait, rien ne va plus.

Anseio, desafio, angustio, terrorizo.
Sinto cócegas interiores,
curiosas, no ventre.
À toi , mon chéri.

A beleza se esvai com um sorriso.
Prefiro a tristeza,
ela permanece guardada no fundo dos olhos.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Sou sentinela


Recolher os sentimentos.
Morar na escuridão.
Os vidros estilhaçados
e cadeiras sem encosto.

Deixo as pessoas acreditarem
que no fundo dos meus olhos
ainda existe brilho.

Assim, entro na minha vida
e junto os cacos.
Onde os fatos são o desastre
mentiroso do encanto com o
desânimo.

Prendo-me ao desalento.
Sou de quem não tem mais nada.
Daqueles que não tem saúde.

Escondo meus segredos e meus
caprichos e uma paixão danada.
Todos dentro de um lancinante
cabaré.
Canto e danço abandonado, ao som
gracioso de um acordeão.


Quem vem lá?
É você?

Um santo que nubla a visão.

Impair


Nele,

a insuportável rudeza doméstica.

Em mim,

aspirações toscamente redentoras.

Somos santos de mãos sujas.


Apedrejo a mão vil que afaga a razão e

os ideais.


Em todas as mulheres

dou o beijo da morte.


Atolado de mel,

desejos suicidas no umbigo,

no ânus, nos ouvidos, nos joelhos.


Ele,

geografia tensa de minhas entranhas.


Carmesim,

farto de perfumes.

Pelo amor de Deus, não grite.

Eu não sou surdo e você me é

estranho.

A paixão nos torna prisioneiros

e através da intimidade sou deposto

do trono de meu santuário.

Mas você me alucina.

Para sempre, sempre, sempre


É perigoso a gente ser feliz?

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Anel dos Nibelungos


Quero despir-me das palavras

com as quais você me veste.

Canto o lamento com exatamente

o mesmo arranjo dos suicidas.

Dobro as vozes difusas daqueles

que já não podem cantar.

Valei-me Deus!

Ateu que sou, minha essência

se arrefece.

Para esta noite eu não sirvo.

Quimeras mil triste.

Brincadeiras da alma,

é a realidade invadindo o sonho.

Tentei sorrir, suspirar alto

e intrépido, irônico e exagerado.

Sou negativo, sombrio,

traiçoeiro como um pântano.

Ah, escorro e esqueço.

Como um desperdício.

Anel dos Nibelungos


A carne grita, clama, repele.

No fundo do fundo as coisas

não tem sombra.

O que importa é o eterno.


Eterno?


Meu ciclo é mutável

e minha palidez é branda.


Quero vomitar a densidade.

Anel dos Nibelungos


Tua língua é a pipa de uma

criança feliz a brincar no céu

da minha boca.

O vento que a impele é a nossa

respiração desordenada.

Nas mãos, a fonte do prazer.
Miserável e poeta,
coloco minhas mãos em você,
para que sejas meu poema.
Estrela dançarina que tem o caos dentro de sí.
Sou desconfortavelmente aconchegante
e caprichoso.

Tenho cara de casa limpa.

Só queria deixar meu corpo descansar.


Não sei por quê.

Aprendi a respeitar sua promessa

e constranger-me com seu silêncio.

Como vai ser noutra existência?


Eu pensava ser apenas orgãos e placenta

e vontade surdina de posse.


Às vezes, é um blues com direito

a rodopios e drinks.


Quereria enforcar seu direito social,

esmagar seus ovários e cuspir-lhe

insultos, injúrias e calúnias.


Tal como ave de rapina, no ninho,

arrancar-lhe os olhos.

Bicar seu rim e deixar sua carcaça

putrefada à espera dos vermes redentores.


Na ilusão de um corpo,

minha casa vazia e despedaçada.


Pois assim é a vida que eu pedi a Deus.