segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

DO DESEJO

DESEJA - ME
BOLINA - ME FLOR ROLIÇA.
VEM VÁ...

Anima Mea



Quero embalar suas víceras.

Das tuas unhas roídas arrancar-lhe a inpáfia.

Porque em cada pedacinho do teu corpo emaranhei-me.

Cheirei teu umbigo, mordi teu sexo e babei em teus pêlos.

No teu cú tudo vai bombar de ais...

Ofensas à Santa Madre Igreja

Grande e sacrossanta bunda
Cadela esguia no cio
Rogai por nós
Rogai por nós
Rogai por nós a Jesus.

Afana os filhos casta mãe
Teus padres hipócritas e vis
Rogai por nós
Rogai por nós
Rogai por nós a Jesus.

Altar incensado com ódio
Falso amor pregado na cruz
Rogai por nós
Rogai por nós
Rogai por nós a Jesus.

Malfazeja eucaristia
ensangüentada de pecados
Rogai por nós
Rogai por nós
Rogai por nós a Jesus.

Olhos sem rosto.


Não falo para ser ouvido.

Não canto para agradar vocês.

Não respondo para satisfazê-los.

Sou incógnita.

Com minhas lágrimas desenho a tempestuosa

tempestade prevista em meus sorrisos e nas

nuvens pesadas que carrego em meus olhos.

Grandeloquente testemunho. sinfonia Bethoveniana.

Ardentes trevas e obscuras paixões.

Meus dentes ocos e duros mordem os orgãos vitais

de teus escrúpulos. teus ideais me são desconfortáveis,

porque neles a vida se escapa.

e porque fugidio são seus olhos.

Meu corpo se entrega ao que vocês chamam de droga - com

ela homenageio cada traço insignificante de vosso ser.

Trago sempre em meus ouvidos as harmonias mais confusas.

Quero destruir vossos sonhos e anedotas com escarros afiados.

Ousado, desproporcional, absurdo, proibido original e estranhamente belo.

Maldigo a hora em que nasci.


Te busquei nas estóicas curvas da História,

nos becos insalubres cheirando a ratazanas putrefadas.

Em cada espelho meus pequeníssimos olhos refletiam

o vazio do Narciso. a experiência não compreendida.

Em cada pensamento cavo a terra ressequida, imunda,

repleta de dejetos inumanos. castaterra, roliça vida. pântano

brejeiro. E é neste pântano que planto meu lírio. escondido,

circunspecto, traiçoeiro - maldita plantadaninha que enfeitiça

pelo poder do inesperado, pelo ocaso.

Tenho os pés cansados, minhas coxas tomadas por pústulas

fedorentas, meu sexo inutilizado e meu cérebro caiado com bolinhas

de sabão.

- Ah, dizem que a alma está no cérebro, ou num entorno do corpo

ou sei lá...

- A minha perdeu-se quando parei de comer algodão - doce. Agora

tento recuperá-la tragando cigarros adocicados.

E vem de longe essa idéia de não sei o quê. faço vistas grossas, mas tenho

língua ferina, chiiiiiii não era pra dizer. mas digo a todos vocês:

podres seguidores de penas letais,

er er er - galinhas?

sim - chocas e semivirgens - loucas e roucas de tanto piscar o cú,

dizendo de suas jóias raras (vide Diderot) a vontade insaciável de

deglutir o azul.

- E caber toda a eternidade no meu fiandeiro?

- Não, você só presta para pôr ovos.

- E o teu? cú pestilento, voraz peidorreiro, atroz ciumento.

- Por algum lugar eu tenho que soltar minhas insuficiências.

- Mas no teu de dentro mora a esperteza.

- Não...hoje só tenho o vinco e as delicadezas do Cid. que chora e ri,

ora com meus espalhafatosos gestos, ora com meus devaneios indiscretos.

- E a espiral? era tão divertido ver-te enchendo o mundo com ácidas torturas!

- Pois é, desmontei minha tenda. Vou embora. quero poder fechar os olhos

e brincar com o meu. Assim, continuo vazio mas salvo dos curiosos.