segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Roçava na terra úmida,
recém castigada pelo início da tempestade.
Quebrava gravetos contra o peito
e manchava de barro minha risonha face.
Todos olhavam-me alarmados:
Estará louco?
Possuído?
Constrangido?

Eles não merecem meu suor,
meus músculos rijos,
minha aurora constante.

À eles apenas
o incessante dilema da minha existência.

Tower Clock

Com um gesto másculo e calculado
ele percorria meus braços.
Abocanhava minha matéria inerte
e sugava a seiva da minha existência.
Na claridade inatingível,
densa relva inexplorada.
Mas fria dúvida calou entre nós.
E a inconsequência não estava em nossos planos.

Homem-semente,
fértil.
Dois iguais sonham.
Seus olhos fortes e sua pele áspera
entrecortam caminhos cerrados.

Corpos adúlteros

Depois do gozo derramado
em vez de acender um cigarro,
fui até a cozinha e apanhei garfo e faca.
Não houve relutância.
Em seus olhos apenas a expressão quieta de um
animal doente.
Foram três cortes profundos, e o negro sabor da
polpa redonda do seu coração inundava minhas entranhas.
Pediu-me para compartilhar com o gato o fruto
da sua lascidão.

A morte veio em miados lívidos,
tendo a culpa como permissão.