terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Canto XII

O vestígio de todas as solidões
se faz pergunta em meu rosto.
Gasto e tomado de existência
procuro funduras no gosto do fruto.

Haverá tempo?

Herdeiro de mim mesmo
meu escuro nome
sombria ilha
e súplicas de carne amolecida.

Entardeço
versoinstante dentro de mim.

Canto XIII

Pensava ser outra

manchada e desmanchada

obra consentida.

Canto XXV

Desejoso da proporção
Apalpado de obsceno
Carregado de susto.

Chamei-te Noite.

Beijado pela fantasia
do ontem, olho da razão
memórias do invento.

Chamei-te Noite.

Tinha os braços pesados do espanto
as costas duras de culpa
e a fronte afundada em veneno

Chamei-te Noite.

Às escondidas terroso e barriga vazia
corpos doentes estufados de química
Pestilenta e cansante mágoa.

Chamei-te noite.

Que te encerras este possuir?
E esta boca seca que faz das letras um caminho?
É um grande riso - pensamento homem de carne
distante e farto e róseo.
Parece o de sempre encantado.

Chamei-te Noite.

Uns polpudos.

A voz num tom de prece
e ares de fundura laqueada
há muito tempo disfarçando o alagado de nojo.
Lentas passadas na santa avenida,
engole o fornicar da história.
Molengo, escavado, relutante.
Vitaminas pela manhã.
Um Isso espasmódico e violento.

É um corpo-quadro

Que coisa te movia?