segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Maldigo a hora em que nasci.


Te busquei nas estóicas curvas da História,

nos becos insalubres cheirando a ratazanas putrefadas.

Em cada espelho meus pequeníssimos olhos refletiam

o vazio do Narciso. a experiência não compreendida.

Em cada pensamento cavo a terra ressequida, imunda,

repleta de dejetos inumanos. castaterra, roliça vida. pântano

brejeiro. E é neste pântano que planto meu lírio. escondido,

circunspecto, traiçoeiro - maldita plantadaninha que enfeitiça

pelo poder do inesperado, pelo ocaso.

Tenho os pés cansados, minhas coxas tomadas por pústulas

fedorentas, meu sexo inutilizado e meu cérebro caiado com bolinhas

de sabão.

- Ah, dizem que a alma está no cérebro, ou num entorno do corpo

ou sei lá...

- A minha perdeu-se quando parei de comer algodão - doce. Agora

tento recuperá-la tragando cigarros adocicados.

E vem de longe essa idéia de não sei o quê. faço vistas grossas, mas tenho

língua ferina, chiiiiiii não era pra dizer. mas digo a todos vocês:

podres seguidores de penas letais,

er er er - galinhas?

sim - chocas e semivirgens - loucas e roucas de tanto piscar o cú,

dizendo de suas jóias raras (vide Diderot) a vontade insaciável de

deglutir o azul.

- E caber toda a eternidade no meu fiandeiro?

- Não, você só presta para pôr ovos.

- E o teu? cú pestilento, voraz peidorreiro, atroz ciumento.

- Por algum lugar eu tenho que soltar minhas insuficiências.

- Mas no teu de dentro mora a esperteza.

- Não...hoje só tenho o vinco e as delicadezas do Cid. que chora e ri,

ora com meus espalhafatosos gestos, ora com meus devaneios indiscretos.

- E a espiral? era tão divertido ver-te enchendo o mundo com ácidas torturas!

- Pois é, desmontei minha tenda. Vou embora. quero poder fechar os olhos

e brincar com o meu. Assim, continuo vazio mas salvo dos curiosos.