segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Olha,


naquele dia estava disposto a anular-se.

não queria mais ouvir o canto da vizinha lavadeira,

a lamúria das solteiras nem muito menos assistir o

final do campeonato, enfim, cessar de envenenar sua

vida com memórias arrotadas por outras bocas.

Escolheu ser um fora-da-lei para sua bem-aventurança

naquela noite. E colhia as belas e sombrias flores através

de fragmentos.

Vivia em abismos que presidiam seus pequenos hábitos,

sentia-se amado pois sua voz era o sinal sagrado dos monstros.

Parecia impossível, mas seus gestos totalmente involuntários

eram cercados da pesada reflexão e da decisão.

Pensava na escuridão e na umidade transpassando seus ossos.
nas mãos da brutalidade retalhando seu corpo, sentindo o fatídico

prazer da mais íntima companhia e menos cerimoniosa.

Deparou-se com a paisagem que nunca prestara atenção.

e em pouco tempo veio a salvação.

Eram seis ou sete da noite.Porém foi germinado e tornado.


Brincou com o polegar e perguntou sorrindo :

- Ritual?

e numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensibilidade

defrontaram-se sorrindo - sem falar. seus olhos eram de papel crepom.

conheceu seus silêncios e suas palavras, e o resto como se diz, faz parte

da história universal.


Espalhado.


Eclesiástico do crime, da transgressão e da decadência.


Encharcara de esperma seus manuscritos já encharcados de lágrimas.

toque profético sem remorso ou remissão.


Epopéia perturbada e sacralizada.

Nebulosa de um sonho: os horrores das cores proibidas.