
naquele dia estava disposto a anular-se.
não queria mais ouvir o canto da vizinha lavadeira,
a lamúria das solteiras nem muito menos assistir o
final do campeonato, enfim, cessar de envenenar sua
vida com memórias arrotadas por outras bocas.
Escolheu ser um fora-da-lei para sua bem-aventurança
naquela noite. E colhia as belas e sombrias flores através
de fragmentos.
Vivia em abismos que presidiam seus pequenos hábitos,
sentia-se amado pois sua voz era o sinal sagrado dos monstros.
Parecia impossível, mas seus gestos totalmente involuntários
eram cercados da pesada reflexão e da decisão.
Pensava na escuridão e na umidade transpassando seus ossos.
nas mãos da brutalidade retalhando seu corpo, sentindo o fatídico
prazer da mais íntima companhia e menos cerimoniosa.
Deparou-se com a paisagem que nunca prestara atenção.
e em pouco tempo veio a salvação.
Eram seis ou sete da noite.Porém foi germinado e tornado.
Brincou com o polegar e perguntou sorrindo :
- Ritual?
e numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensibilidade
defrontaram-se sorrindo - sem falar. seus olhos eram de papel crepom.
conheceu seus silêncios e suas palavras, e o resto como se diz, faz parte
da história universal.
Espalhado.
Eclesiástico do crime, da transgressão e da decadência.
Encharcara de esperma seus manuscritos já encharcados de lágrimas.
toque profético sem remorso ou remissão.
Epopéia perturbada e sacralizada.
Nebulosa de um sonho: os horrores das cores proibidas.